Filme do Bob Cuspe em festival de cinema animado na França

Olá TaBEERneiros,

Angeli é um cartunista brasileiro reconhecido por seus vários personagens icônicos nos anos 80, que representam o retrato característico da época. O Bob Cuspe é um destes grandes personagens. Ele simboliza o “punk da periferia” e foi uma resposta aos excessos, à hipocrisia e é destacado como uma forma de resistência.

O personagem ganha agora um longa de animação que irá estrear no dia 14 de junho no Festival de Annecy, o maior festival de cinema animado do mundo, sediado na França. O filme está previsto para ser lançado comercialmente em dezembro de 2021 ou começo de 2022.

A trama intitulada Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, primeiro longa-metragem dirigido pelo animador paulistano Cesar Cabral, irá mostrar um conflito entre o personagem e seu criador, Angeli, que decide se livrar dele. Só que o protagonista irá resistir com todas as suas forças. No elenco teremos as vozes de Milhem Cortaz como Bob Cuspe, Paulo Miklos como os Irmãos Kowalski, Grace Gianoukas como Rê Bordosa e André Abujamra como Rhalah Rikota.

Tirinha Bob Cuspe
Tirinha Bob Cuspe

O longa, que promete arrancar boas risadas do público, foi produzido em stop motion, trazendo como cenário um deserto apocalíptico cheio de perigos, que na verdade é a cabeça do cartunista Angeli

O filme tem uma pegada de DOC, é uma coisa mais pessoal, porque fiz uma espécie de registro constante com Angeli, mas daí vai para uma coisa bem ficcional. O longa fala muito sobre o momento atual do artista, que revisita seu trabalho e busca novos caminhos, daí o motivo dele querer acabar com Bob Cuspe.

Cesar Cabrar – Diretor

Bob Cuspe tem essa coisa do rock’n roll, do universo urbano. É algo muito ligado à cidade de São Paulo e esse é um tema que vivenciei e gosto. 

Cesar Cabral (sobre a essência do personagem)

Trabalhei com Angeli pela primeira vez em 2008, no curta da Rê Bordosa. Recentemente, ele comentou comigo: ‘Bob Cuspe é um personagem que daria um ótimo longa’. Concordei e falei: ‘vamos escrever’.

Cesar Cabral

Como não havia financiamento, o animador precisou trabalhar no projeto em meio a outros trabalhos do dia-a-dia:

No meio disso tudo, rolou a série Angeli – The Killer, na qual ele divide a cena com muitas de suas criações. Depois disso, o longa mesmo entrou em pré-produção em 2017, quando conseguimos levantar o financiamento necessário.

Cesar Cabral

O diretor também fala sobre qual o sentido criar uma animação sobre esse grande símbolo punk dos anos 80:

Ele representa a juventude. A rebeldia ainda está presente, mesmo que diferente e esse tema vai além do personagem. É uma trama que dialoga bastante com o momento e vai sempre conversar com as novas gerações.

Cesar Cabral
Folha de S.Paulo - Livraria da Folha - Quadrinhos na Cia. anuncia  publicação de 'Todo Bob Cuspe' - 26/08/2014

Os músicos Marcio Nigro e André Abujamra sobre a importância do personagem:

É um clássico da linguagem pop alternativo feito pelo Angeli e clássicos sempre serão importantes.

André Abujamra

É Underground, mas um clássico. No filme, ele volta com uma energia modernizada que tem apelo para as novas gerações.

Marcio Nigro

Abujamra e Nigro trazem a importância do Bob no cenário atual:

Num momento de miséria intelectual e moral, qualquer atitude a favor da cultura simboliza resistência à barbárie. Bob Cuspe neles!

André Abujamra

Não importa quão difíceis sejam os tempos, a arte sempre será uma forma de identidade e resistência. Não apenas política, mas de existência. E a música vai junto nessa onda que leva uma obra para todos os cantos do planeta.

Marcio Nigro

A música é de suma importância para o longa, contando com composições de Nigro e Abujamra, além de canções famosas de grandes ícones:

O filme repleto de referência dos anos 80, dos quadrinhos, do punk. Tínhamos um orçamento limitado, mas fomos atrás de muitas músicas, como de Iggy Pop, Titãs, porque o filme tem esse lado rock’n roll.

Cesar Cabral

Existe uma luta entre o Rock e o Pop nesse filme e isso conversa bem sobre como Angeli quer reinventar seus personagens.

Cesar Cabral

Ainda sobra a música, os músicos tiveram muita liberdade para a composição da trilha:

É muito bom poder trabalhar num filme que dá liberdade criativa e procura um caminho original e não baseado apenas em referências de outros filmes ou artistas. Eu e o Abu gostamos de pirar e o Bob Cuspe nos deu essa oportunidade.

Marcio Nigro

Eu sempre digo que se você quer entender a importância de uma trilha sonora para um filme é só tirar a música. Esse é o fio condutor das cenas, que te transporta para dentro do filme sem você perceber.

André Abujamra

E aí, TaBEERneiro você curte as obras do Angeli? Comenta aqui e encaminha esse texto para seu amigo que curte esses ícones dos anos 80.

Fonte das informações: UOL

 

Paulo Souza

Pai, Marido e Nerd full time. Nerdice raiz é a minha essência.