Os diferentes estilos dos traços nos quadrinhos

Alguém pode argumentar que é uma história bem contada, um roteiro conciso, fechadinho, com respostas para as perguntas iniciais e diversas pontas soltas para deixar aberta aquela possibilidade de uma nova HQ explorando aquele mesmo assunto, por um ângulo diferente. Outros que são os personagens, sejam eles heróis ou vilões, e suas interações durante todo o arco, seus diálogos nos momentos tensos ou nos mais do que necessários alívios cômicos. Contudo, cá entre nós, o que nos apaixona nos quadrinhos é o trabalho de arte mesmo, tanto do desenhista quanto do colorista.

Em diversas oportunidades deixei de ler algum HQ por causa do traço estranho ou de um estilo que não curto muito e o oposto também aconteceu algumas dezenas de vezes nessa vida nerd de leitura de quadrinhos. Se me permitem, vou dar aquelas dicas sobre alguns dos mestres dos traços que você precisa conhecer a fundo e, por favor, notem que a lista não está em ordem de preferência, e sim de lembrança dessa mente mezzo velha mezzo insana.

ALEX ROSS

Natural de Portland, esse americano que já trabalhou tanto na DC quanto na Marvel é dono de um dos traços mais interessantes que já vi. Seu estilo se aproxima demais de pinturas a óleo, são exatos, bonitos e normalmente coloridos em tons pastéis, de guache. Um de seus trabalhos mais citados é a Graphic Novel “Kingdom Come” ou “Reino do Amanhã”, da qual já falamos. Atualmente Ross é responsável por diversas capas lindas em diversas HQ’s da Marvel.

ANDREA SORRENTINO

Caso você veja o nome desse italiano na cara de qualquer quadrinho, COMPRE IMEDIATAMENTE. Atualmente exclusivo da Marvel, Sorrentino tem um traço inconfundível, por vezes psicodélico por conta do seu talento em sobrepor tons e espalhar boas quantidades de sangue salpicadas pelo quadrinho. Seu trabalho mais impressionante é com a série “Old Man Logan”.

MIKE DEODATO JR.

Sem sombra de dúvidas um dos nomes mais interessantes no cast da Marvel é o Deodato. A arte do brasileiro através dos anos melhorou consideravelmente e seu estilo, com usos de pontos no melhor estilo de fotos de jornal, encaixa perfeitamente com roteiros mais sombrios e personagens menos, digamos, simpáticos. Não por acaso ele é responsável pela série “Thanos”.

Existem diversos tipos de traços, artes e colorações por aí e cada um encaixa com um tipo de narrativa. Há traços para todos os gostos, e artistas talentosíssimos divulgando seus trabalhos não só nas gigantes do mainstream das HQ’s, mas em trabalhos independentes também. Os exemplos acima foram pensados tanto em preferências pessoais quanto nas últimas HQ’s que tenho lido nesses meses.

Depois destes exemplos de cair o queixo, vocês ainda acham que vale a pena adaptação de quadrinhos em livros, deixando apenas os diálogos? Bem, isso é o assunto da próxima semana.

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