MadWomen – As Grandes Mulheres de MadMen

Quem me conhece, sabe que MadMen está entre as minhas séries preferidas, tanto pela identificação com minha profissão quanto pela trama envolvente de Don Draper e cia. Apesar do enredo girar em torno do personagem interpretado por Jon Hamm, sem a menor dúvida, todas as mulheres da trama dão uma cor e forma importantíssimas à série. As personagens femininas são fortes, decididas, batalhadoras, carentes, apaixonadas, livres, loucas, inteligentes… sem elas, a série não teria abocanhado tantos Emmys de melhor série dramática por anos consecutivos, entre outros prêmios.

Eu deveria ter publicado este texto no dia internacional da mulher, mas minha preguiça e afazeres atrapalharam. Como dia da mulher é todo dia, chutei a preguiça e terminei o texto: listei as personagens que considero mais importantes da trama, misturado com um pouquinho com gosto pessoal. Não serão todas (são muuuiiitaaas mulheres) mas as que mais me marcaram.

Atenção: este texto contém spoilers!

Betty Draper (January Jones)
Quem se acostumou com a Emma Frost em XMen, nem desconfia que January Jones é uma dona de casa bela, recatada e do lar. Betty é a primeira esposa de Don Draper. Dona de uma beleza a la Grace Kelly, a loira abandonou a carreira de modelo fotográfica para ser esposa e mãe. Ela faz a linha esposa submissa mas deixa escapar esporadicamente o quão livre gostaria de ser. É a esposa decorativa, linda, a que todo homem tem orgulho de apresentar aos amigos, mas é só. Betty não tem outros atrativos além da beleza e nem desafia os padrões da época. O papel principal dela enquanto esposa de Don Draper é mostrar à sociedade a parcela de família perfeita que todos esperam do protagonista. Don é cheio de segredos sobre seu passado e usa a esposa e a família para maquiar a realidade de um relacionamento familiar fracassado e de um homem covarde que tem medo de assumir a si mesmo.
Não vejo a Betty como uma mulher feliz, na verdade, ela é a realidade de muitas mulheres desde 1960 até os dias de hoje: submissa, financeiramente dependente, procriadora e dona de casa. Mesmo depois de divorciada, ela se casa novamente e repete a fórmula de mulher do lar…

Rachel Menken (Maggie Siff)
Judia, filha do dono de uma rede de departamentos de luxo e empresária, Rachel Menken foi a primeira amante fixa de Don Draper. Rachel era um misto de mulher romântica e sagaz, conquistou Don Draper desde a primeira apresentação de sua empresa, quando esta pretendia se tornar cliente da agência Sterling-Cooper. Ao mesmo tempo em que era inteligente para perceber que se envolver com homem casado era uma furada, ela, no fundo, desejava ter um relacionamento estável com Don Draper. Ele gostava muito dela por sentir que podia ser ele mesmo quando estavam juntos. Don Draper sentia que, ao lado de Rachel, os segredos do passado dele não voltariam para atormentá-los e, caso voltassem, ela o amaria exatamente como é.
O relacionamento dos dois não durou muito: assim que Draper foi assombrado por seu passado, ele correu à amante para propor-lhe uma fuga e ela prontamente negou. Ela percebeu que ele não queria fugir com ela, mas apenas fugir: fugir do passado, fugir das responsabilidades, fugir das consequencias do que ele escolheu para sua vida. Rachel era empresária, tinha uma vida pela frente e jamais aceitaria viver fugindo, mesmo que isso lhe custasse o seu amor.

Faye Miller (Cara Buono)
Faye Miller é uma consultora em pesquisa de mercado contratada pela agência. Por ser apenas freelancer, ela atende também outros clientes em outras agências. Faye conhece Draper durante uma reunião onde ela pede que respondam a um questionário cheio de perguntas pessoais que ele prontamente rejeita, ele se incomoda bastante com como a moça tenta, sem querer, descobrir a respeito das pessoas. Mesmo assim, eles se encantam mutuamente e, apesar da resistência dela, ambos iniciam um relacionamento.
Esse foi o casal por quem eu mais torci na série pois, para mim, eles se completavam muito: ambos eram publicitários, super aguerridos em suas funções, inteligentíssimos e se divertiam juntos de forma bastante leve. Entretanto, algo pesava contra Faye: Don já era divorciado de Betty e ela precisava aprender a lidar com os três filhos que teve no prmeiro casamento. Faye não tinha habilidade para resolver esses problemas mas tentou contorná-los de todas as formas.
O relacionamento de Faye e Don terminou rápido e abruptamente quando ele anunciou à empresa que estava noivo de Megan, sua secretária. Don sequer se despediu de Faye, sequer pôs um ponto final na relação. Embora Don e Megan não tenham se relacionado antes, a habilidade de Megan em lidar com as crianças foi um ponto chave para que ele escolhesse a secretária e não a namorada.
Eu fiquei triste e surpresa com esse rompimento abrupto, mas… série que segue…

Megan Draper (Jessica Paré)
Megan era secretária de Don Draper até ser pedida em casamento por ele. Don viajou com seus três filhos num final de semana e pediu que Megan viajasse com eles para que ela o ajudasse a tomar conta das crianças. Inesperadamente, transaram e ela foi pedida em casamento logo em seguida. Por mais que a beleza da francesa fosse marcante, antes desse fim de semana os dois nunca tiveram nada, nem um flerte. Don namorava Faye e eu nem imaginava que isso ia acontecer. Foi uma reviravolta inesperada.
Um lado bacana do casamento deles é que todos os segredos que atormentavam Don e que atrapalhavam seus relacionamentos anteriores foram totalmente expostos entre os dois. Megan se casou com Don sabendo de tudo sobre o passado dele, foi um pacto de sinceridade, eles não tinham mais o que esconder um do outro.
Resolvido este grande problema, abriu-se espaço para se criarem novos. Num primeiro momento após o casamento, Megan deixou de ser secretária mas continuou trabalhando ao lado do marido como redatora jr. Ela até teve boas idéias e Don apostava no futuro da esposa como publicitária, mas o grande sonho de Megan era ser atriz. Ela não aguentou sufocar esse sonho por muito tempo, abandonou a agência e foi correr atrás de sua carreira. Para isso, ela teve que se mudar para a costa oeste americana e se estabelecer lá para participar de testes de tv e teatro. A separação física entre Don e Megan abriu espaço para problemas de relacionamento, falta de comunicação, infidelidade e um distanciamento paulatino que culminou no divórcio.

Joan Holloway/Harris (Christina Hendricks)
A gostosíssima Joan Holloway é uma das mulheres mais marcantes da série, tanto pela beleza e curvas exuberantes quanto por todo turbilhão de acontecimentos que a ruiva passa.
Joan trabalha na Sterling-Cooper como uma “chefe administrativa” (pus entre aspas porque nunca soube exatamente o que a ela faz, porque ela faz de TU-DO na agência!): controla as secretárias, se responsabiliza por mantimentos e insumos, participa de seleções de RH, enfim… a agência não caminharia sem ela! Apesar da enorme competência e carisma, Joan não escapa dos julgamentos de homens e mulheres. Independente financeiramente e bela, Joan aproveita bem a vida e é alvo da maledicência das pessoas conservadoras, principalmente por ser amante de Roger Sterling, casado e um dos sócios da agência. Apesar dos comentários, Joan segue vivendo de boas, curtindo o que pode, trabalhando e encantando as pessoas!
Até que chegou um momento em que Joan quis “sossegar o faxo”, casar, ter um sobrenome e ser respeitada (OBS.: taí algo que me incomoda… por que precisamos de um sobrenome do marido para sermos respeitadas? Até alguém prafrentex feito a Joan padecia dessa carência, mas ok, era década de 1960, né?).
A ruiva escolheu Greg Harris, um jovem médico idealista, como marido, mas sofre com a partida dele para a guerra do Vietnã. Joan é contra a partida do marido, já que ela quer constituir uma família, mas o rapaz está tão decidido que ignora os pedidos da esposa e parte. Nesse ínterim, Joan e Roger tem uma recaída e ela engravida do ex-amante, mas diz ao marido que está grávida dele. Após a participação de Greg na guerra, ele retorna aos EUA mas decide permanecer na carreira militar se colocar à inteira disposição do exército. Contrariada, Joan se divorcia do rapaz e cria seu filho sozinha, contando com uma assistência remota de Roger.
Não bastassem esses percalços na vida da moça, os executivos da Sterling-Cooper-Draper-Pryce ainda a colocaram numa situação ultrajante: o executivo da Jaguar prometeu dar a conta da empresa à agência caso Joan transasse com ele. De todos os sócios, o único que foi contra isso foi Don Draper, que tentou de todas as formas que Joan rejeitasse tal condição, mas ele chegou tarde demais para impedir e Joan se submeteu a essa situação degradante. Como “prêmio”, ela ganhou 5% das ações da empresa, se tornou sócia minoritária e com voz no conselho da agência.
Apesar dos altos e baixos na vida da ruiva, o fim dela na série foi glorioso: ela juntou seu dinheiro, sua expertise e sua coragem e abriu sua própria produtora!

Peggy Olson (Elisabeth Moss)
E por último, a minha queridinha da série: Peggy Olson! Peggy participou ativamente da série inteira! Começou como secretária de Don Draper, tornou-se sua pupila até se tornar uma redatora de sucesso! A mudança não foi só profissional, Peggy crescia a olhos vistos: de uma inocente secretária recém chegada à metrópole a uma mulher com coragem suficiente para pedir demissão e alçar vôos profissionais maiores numa nova agência.
A vontade de crescer de Peggy era tanta que ela rejeitou o filho, fruto do relacionamento extraconjugal de Peter Campbell com ela (não acho essa atitude da Peggy maneira, mas faz parte do lado obscuro dela). Ela engravidou, não sabia que estava grávida até o dia em que deu à luz (acreditem, por mais que isso soe fantástico, existem muitos casos assim). Essa situação deixou Peggy profundamente deprimida e quase a fez perder a recente promoção que ganhou na agência, mas Don Draper procurou por ela, conversaram e ele a convenceu a voltar. Desde então, ela tocou no assunto pouquíssimas vezes, uma delas foi para contar a Peter o ocorrido.
Superado o trauma, Peggy se dedicou a progredir na sua carreira e a encontrar sua cara metade. A sucessão de romances ruins foi interrompida no último episódio da última temporada, quando Peggy e Stan finalmente se rendem à paixão e ela pode respirar aliviada por ter o emprego que sempre quis ao lado do homem que ama!

Mathew Weiner, criador e roteirista da série, foi genial ao trabalhar as particularidades de cada personagem. Mesmo os personagens secundários possuem uma história de fundo, um preenchimento em suas vidas que influi diretamente na trama da série. Todos os traumas, medos e coragens dos personagens são tratados com importância na história e é isso que me encanta na série. A era de ouro da publicidade na década de 1960 era somente um cenário, um pano de fundo, para que as histórias pessoais de todos os personagens da série brilhassem. Na verdade, os fãs torciam muito mais que cada problema pessoal dos personagens se resolvesse do que a Sterling-Cooper-Draper-Pryce adquirisse uma nova conta.

Os dramas humanos são brilhantemente discutidos nesta série, por isso gosto tanto dela!

Recomendo fortemente que vejam esta série do início ao fim! A última temporada fechou a história com uma dignidade ímpar, com chave de ouro, com a resolução e redenção dos personagens!

Assistam! Não vão se arrepender!

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